sobre mim
deixa eu te contar um pouco da minha tragetória
Uma millennial nascida em Londrina, PR. Essa cidade de apenas 91 anos foi destino de imigrantes de todo canto, tanto de outros estados quanto de outros países. Sou neta de japoneses e filha de uma mulher nordestina.
Foi dessa mistura de culturas que cresci, me formando entre contrastes. Além disso, eu mesma, ainda criança, fui migrante, morando por seis anos no Japão.
Conviver com esses extremos me fez desenvolver habilidades muito diferentes: ser reflexiva, mas também comunicativa.
A busca por um meio-termo, por alguma harmonia, sempre foi importante pra mim, mesmo quando eu ainda não percebia. Não podia escolher só um lado, nem muito extrovertida ou introvertida.
E é justamente aí que sinto que minha clínica se fundamenta. Na tentativa de encontrar um jeito de ser que acolha contrastes e nuances contraditórias que não se anulem, mas convivam, se escutem e ajudem a lidar com os conflitos internos.
usar minha experiência para encontrar espaço
trabalho com racialidade
Em 2019, enquanto preparava conteúdos sobre autoestima, comecei a refletir sobre como as redes sociais influenciam nossas comparações. Foi nesse processo que percebi algo que me tocou: eu quase não seguia pessoas asiáticas com vivências ou aparência parecidas com as minhas. Isso me causou um estranhamento, mas também despertou uma curiosidade — fui atrás de outras mulheres amarelas e, ao mesmo tempo, comecei a olhar com mais atenção para minha ancestralidade.
Com a chegada da pandemia e o aumento dos ataques contra pessoas amarelas, senti que não dava mais pra deixar esse assunto de lado. Percebi que era importante falar sobre isso e buscar formas de abrir espaço para essas conversas.
Desde então, as coisas foram tomando forma com naturalidade. Comecei a trazer esses temas para rodas de conversa, grupos de estudo, palestras e até para um podcast que criei junto com a influenciadora, Bruna Tukamoto.
Gosto de pensar nisso como Quíron, que aprende a cuidar a partir da própria ferida. As minhas dúvidas, inseguranças e sentimentos de não pertencimento foram se transformando em algo que hoje também compartilho pra quem, de alguma forma, se reconhece nessas histórias.
escolha pela psicologia
Fui uma criança muito imaginativa, e desde os 4 anos de idade me lembro de passar muito do meu tempo brincando de imaginar. Sei que parece algo que todos fazem, e provavelmente é, mas eu nunca consegui parar com esse exercício.
Aos 10 anos assisti pela primeira vez Senhor Dos Anéis: As duas torres. A lembrança arrepiante de assistir pela tela pequena do computador (sim, baixamos o filme pelo torrent haha) a cena de Frodo sendo atacado em Osgiliath ainda é marcante para mim.
Desde então, me apaixonei pela história e passei levar a "sério" minhas criações imaginativas.
Na hora de escolher uma faculdade, comecei com Letras por conta da literatura, mas não consegui continuar, por não gostar tanto de todo o resto da graduação.
Já conhecia Joseph Campbell e a Jornada do Herói, o que me levou a Psicologia Junguiana. Ou seja, fui para psicologia em busca de Jung. Apesar da UEL não ter nenhum professor ou matéria sobre a abordagem, achei que seria interessante compreender o ser humano para continuar com meu processo de criar histórias e de forma autonoma estudar psicologia junguiana.
Depois de começar a estagiar tanto em ambitos sociais como CRAS, CREAS e CENSE, assim como outros projetos sociais voluntárias, me encontrei mesmo na clínica.
Então em 2015 fui bolsista em um projeto que auxiliava encontrar supervisores para os estudantes de psicologia que atendiam na clínica escola. Era uma forma de que reduzir a fila de espera para psicoterapia, e incentivar aos alunos atenderem para além dos estágios obrigatórios. Essa foi minha oportunidade para trazer outros psicólogos junguianos para a universidade.
Assim, com essa aproximação, busquei me aproximar de vez da Psicologia Junguiana. Fiz cursos focados nessa teoria, como arteterapia, imaginação ativa, mitologia e outros temas. Também concluí minha pós-graduação em Psicologia Clínica Junguiana pelo Instituto Junguiano do Rio Grande do Sul.
a clínica
Como pode ver, a psicologia clínica não foi minha primeira escolha. Durante a graduação, participei de muitos projetos de pesquisa e extensão ligados a questões sociais. Queria contribuir para um mundo mais justo e diverso, e isso exigia uma dedicação maior ao coletivo.
Mas, no quarto ano da faculdade, logo no início das práticas de psicoterapia, percebi que me sentia confortável e útil nessa função.
Comecei a frequentar a clínica-escola com regularidade no quarto ano da faculdade.
Nesse período, atendi mais do que as disciplinas exigiam, o que me ajudou a ganhar confiança na prática clínica.
Depois de formada, mantive esse ritmo. Desde então, não passei um mês sem atender. Segui me aperfeiçoando por meio de grupos de estudo, leituras e cursos sobre psicologia e racialidade, além da pós-graduação em Psicologia Clínica Junguiana pelo IJRS.
A clínica é o lugar onde sinto que realmente posso contribuir para o mundo, com respeito e ética, mesmo que de forma individual.
"Silencie e escute: você reconheceu sua loucura e a admite? A loucura é uma forma especial do espírito... O ser humano busca a razão apenas para poder criar regras para si mesmo. A vida, em si, não tem regras."
C. G. Jung
psicologia junguiana
Sinto que, de certa forma, sempre fui junguiana. A maneira como eu via o mundo, a admiração e o fascínio pela simbologia, mitologia e religiões. Esse olhar imaginativo, sempre em busca de sentido, já fazia parte de mim.
Quando comecei meus estudos com a Psicologia Junguiana, senti um alívio, como se meus pensamentos, imagens e sonhos finalmente encontrassem uma linguagem que eu conseguia entender.
A primeira ferramenta que usei foi com a imaginação ativa, que permite conversar com as imagens que surgem do inconsciente. Isso me deu mais segurança pra seguir meu caminho de autoconhecimento de forma mais livre e verdadeira.
Sempre senti que a vida não era só minha, como se algo mais profundo também estivesse conduzindo as coisas, além dos meus próprios desejos. Entendendo isso, as imagens do inconsciente me trouxeram compreensão e força em momentos difíceis.
Quando iniciei meu processo terapêutico, tudo isso se aprofundou. Passei a dialogar com meu inconsciente de forma mais clara, e essa escuta acabou virando uma base importante também nos meus atendimentos como psicóloga.
Hoje, meu jeito de ver o mundo está totalmente entrelaçado com a teoria. A cada dia busco aprender mais pra compreender melhor o mundo e a mim mesma.
A Psicologia Junguiana me dá esperança e um jeito possível de agir no mundo. Me organiza, me centra e dá sentido ao que vivo.